terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Sombra de oliveira!

Então...
Tem um bom tempo que não passo por estas bandas. Por isso a passagem de hoje faz-se necessária para as devidas atualizações.
Nesse tempo ausente, escrevi algumas canções. Hoje mesmo terminei uma, baseada na linda história da série Hoje é dia de Maria.
Como não é novidade, escrevo a partir do momento que algo me chama atenção, e a história da Maria chamou. Pra variar, Luiz Fernando Carvalho me cativando com uma linguagem só dele.
Abaixo, segue a letra da canção que acabou de sair do forno:

Sombra de oliveira
Composição: tony quintino

Tanto é o tempo que cansei de contar
Esqueço que ficou lá
Assim deixo estar

Chega de repente sem avisar
Feito um rio pro mar
Em mim desaguar

Só não sei
Porque vem
Muito além das franjas do mar

Esperei do pôr-do-sol um sinal
Quis prever temporal
Ser capaz de enxergar

Ler nas entrelinhas o que é real
Ver o tom natural
Pra jamais duvidar

Mas não sei
De onde vem
Mais além das franjas do mar

Cadê você, meus olhos d’água?
Sim, foi você que esperei sem saber
E me afoguei de canto e de mágoa
Eu que só quis voar
Eu que por tanto amar caí do céu de mim

Tanto sentimento pra se guardar
A sete chaves trancar
Assim deixo estar

Vezes de reescrever um final
História tão desigual
Me tomo a pensar

tq



terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Dogma de Vênus!

Dogma de Vênus
Composição: tony quintino

Longe dos teus olhos o amanhecer não tem mais cor                                     
Dias que passaram indiferentes seguem tão iguais                                                  
O teu sorriso é tão singular, mas tua voz eu nem me lembro mais                               
Foi tão difícil te encarar de novo e ter que aceitar
                                                             
Sonhos naufragados nas palavras que te ouvi dizer                                                             
Noites, quantas noites nos teus braços, pude adormecer                                                
Se hoje ainda te amo, amanhã pode tudo mudar                                                                      
Eu já me vejo sem você na rua ou em qualquer lugar
                                                         
O tempo passa em minha frente, é o meu destino a me levar             
A tua ausência já não me sufoca, eu posso respirar                                                          
Os meus anseios se confrontam, como a luz e a escuridão                                                        Eu vou buscando novos horizontes pro meu coração
                                                                 
Canções e poesias que só nós podemos compreender
Um rastro de emoções que da memória não vão se perder                                                    
Você foi uma estrela cadente que em um instante logo se apagou                                           Foi uma chuva de verão que inundou meu coração
                                                   
Agora com os pés no chão eu posso caminhar em paz          
Longe das contradições que o amor alimenta
Eu quero muito mais


tq

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Bertold Brecht!

Se os tubarões fossem homens

Se os tubarões fossem homens, eles fariam construir resistentes caixas do mar, para os peixes pequenos com todos os tipos de alimentos dentro, tanto vegetais, quanto animais.
Eles cuidariam para que as caixas tivessem água sempre renovada e adotariam todas as providências sanitárias, cabíveis, se por exemplo, um peixinho ferisse a barbatana, imediatamente ele faria uma atadura a fim que não morressem antes do tempo.
Para que os peixinhos não ficassem tristonhos, eles dariam cá e lá uma festa aquática, pois os peixes alegres tem gosto melhor que os tristonhos.

Naturalmente também haveria escolas nas grandes caixas, nessas aulas os peixinhos aprenderiam como nadar para a guela dos tubarões. Eles aprenderiam, por exemplo, a usar a geografia, a fim de encontrar os grandes tubarões, deitados preguiçosamente por aí. A aula principal seria naturalmente a formação moral dos peixinhos.
Eles seriam ensinados de que o ato mais grandioso e mais belo é o sacrifício alegre de um peixinho, e que todos eles deveriam acreditar nos tubarões, sobretudo quando esses dizem que velam pelo belo futuro dos peixinhos.

Se encucaria nos peixinhos que esse futuro só estaria garantido se aprendessem a obediência. Antes de tudo os peixinhos deveriam guardar-se antes de qualquer inclinação baixa, materialista, egoísta e marxista e denunciaria imediatamente aos tubarões se qualquer deles manifestasse essas inclinações.

Se os tubarões fossem homens, eles naturalmente fariam guerra entre si a fim de conquistar caixas de peixes e peixinhos estrangeiros. As guerras seriam conduzidas pelos seus próprios peixinhos. Eles ensinariam os peixinhos que entre eles e os peixinhos de outros tubarões existem gigantescas diferenças, eles anunciariam que os peixinhos são reconhecidamente mudos e calam nas mais diferentes línguas, sendo assim impossível que entendam um ao outro. Cada peixinho que na guerra matasse alguns peixinhos inimigos da outra língua silenciosos, seria condecorado com uma pequena ordem das algas e receberia o título de herói.

Se os tubarões fossem homens, haveria entre eles naturalmente também uma arte, haveria belos quadros, nos quais os dentes dos tubarões seriam pintados em vistosas cores e suas guelas seriam representadas como inocentes parques de recreio, nos quais se poderia brincar magnificamente. Os teatros do fundo do mar mostrariam como os valorosos peixinhos nadam entusiasmados para as guelas dos tubarões.
A música seria tão bela, tão bela, que os peixinhos sob seus acordes, a orquestra na frente, entrariam em massa para as guelas dos tubarões, sonhadores e possuídos pelos mais agradáveis pensamentos.

Também haveria uma religião ali. Se os tubarões fossem homens, ela ensinaria, essa religião, que só na barriga dos tubarões é que começaria verdadeiramente a vida.

Ademais, se os tubarões fossem homens, também acabaria a igualdade que hoje existe entre os peixinhos, alguns deles obteriam cargos e seriam postos acima dos outros.
Os que fossem um pouquinho maiores, poderiam inclusive comer os menores, isso só seria agradável aos tubarões, pois eles mesmos obteriam assim mais constantemente maiores bocados para devorar e os peixinhos maiores que deteriam os cargos valeriam pela ordem entre os peixinhos para que estes chegassem a ser, professores, oficiais, engenheiro da construção de caixas e assim por diante.

Curto e grosso, só então haveria civilização no mar, se os tubarões fossem homens.


Bertold Brecht

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

A história de Waldynelson!

Um belo dia, Waldynelson foi à loja de calçados comprar um sapato. Estava decidido: o sapato tinha que ser preto, de costura aparente e sem cadarços.
Chegando à loja, o sapato tão esperado havia acabado. Nem no estoque tinha! No entanto o vendedor ofereceu um sapato verde, um pouco fosco e com cadarços.
Waldynelson levou o sapato verde por falta de opção.
Pra sua infelicidade, o sapato verde durou 4 longos anos! Foram vezes de muita vergonha e de bolha no pé. Resumindo, um total incômodo!
Passado os 4 anos, Waldynelson voltou à loja para comprar um novo sapato. Sim, teria que ser preto, de costura aparente e sem cadarços.
O vendedor voltou com a notícia que o último modelo do sapato preto, de costura aparente e sem cadarços acabara de ser vendido. Mas sorridente, ofereceu um roxo com bolinhas brancas, de veludo e com cadarço.
Waldynelson levou o sapato roxo!




tq

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Teatro!

Teatro
Composição: tony quintino

Já não cabe em mim
Você pode me perdoar?
Não há razão de ser
E nem lugar

Já não sonho mais
O amor pode me libertar?
Vou só me recompor
E esperar

É estranho te dizer 
Assim não faz doer
Nem fere o coração

Fiz do não então talvez
Nem fui me desculpar
Falta saber o que você dirá

É vago e falso o amor que me condena a sentir
Posso ser bom ator, sei chorar e sei sorrir
Afago o meu cansaço, em outros braços te esqueci
Vou te contar amor, só queria te ferir
E é de restos, versos, gestos incompletos
Que te vejo prosseguir

tq


segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Pálido!

Pálido
Composição: tony quintino

Tristes, lentos os dias sem te ver
Cabe um verso pra não me esquecer
Sábio, o amor me faz assim
Tanto que eu não sei de mim

Tento um sonho pra te encontrar
Me sinto como um náufrago em seu mar
Longe fui e me perdi
Sabe, o amor me faz assim

E onde quer que eu vá
Insisto em procurar
A felicidade que invade
E a beleza desses fins de tarde

Finjo nesse quarto cor de giz
Nada disso já me faz feliz
Cálido meu coração
Não se esquece e sofre em vão

Calo e até deixo de sonhar
Vagos pensamentos pelo ar
Pálido meu coração
Não se esquece e sofre em vão

E onde quer que eu vá
Desisto de buscar
A felicidade que invade
E a beleza desses fins de tarde

Vasto e casto amor
Dediquei sem perceber
Indulgente, me esqueci
Nada fez por merecer

E assim me afogo em dor
Vem a noite e sinto frio
É o frio da solidão
E me vejo aos pedaços pelo chão

tq

sábado, 11 de agosto de 2012

Paulo Leminski!

Razão de ser

Escrevo. E pronto.
Escrevo porque preciso,
preciso porque estou tonto.
Ninguém tem nada com isso.
Escrevo porque amanhece,
E as estrelas lá no céu
Lembram letras no papel,
Quando o poema me anoitece.
A aranha tece teias.
O peixe beija e morde o que vê.
Eu escrevo apenas.
Tem que ter por quê?

Paulo Leminski