Canção começada lá pros lados do Guaíba e terminada hoje, aqui em Ctba.
Mil lados
Composição: tony quintino
Claro e raso pra você
Denso e fundo foi pra mim
Quem me dera responder
Meu silêncio tanto diz
E essa areia na visão em meio à escuridão
Que diferença faz?
Céu de estrelas pra você
Tempestade foi pra mim
Quanta espera sem saber
Resistindo eu fui feliz?
Na geleira o coração em meio à solidão
Que a indiferença traz
Se eu pudesse esquecer
Soubesse esquecer
Esqueceria tudo
Tudo o que um dia eu vivi
Um dia eu quis pra nós
Reinventaria tudo
Cada pedaço de mim
A um passo do fim eu perco o ar
Nada mais está
Sinto apenas o tempo bem devagar
De que lado estou?
Tem mil lados o amor que não passou
tq
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017
sábado, 14 de janeiro de 2017
Um pouco de azul!
Um pouco de azul
Composição: tony quintino
Nada de mim
Nada que eu possa ser
Ninguém mais uma vez
Outra canção
Outra sem direção
Alguém pode me ouvir?
Tanto eu sei
Que já nem sonho mais
Deixo estar
Tanto errei
Que eu não encontro paz
E volto à me perder
Sempre é assim
Sempre de volta ao cais
Refém dentro de mim
Quase esqueci
Quase eu acreditei
Ninguém pode me ouvir
Já nem sei
Tanto deixei pra trás
Ficou lá
Naveguei e naufraguei
Olhos de nunca mais
E volto à me perder
Deixo estar
tq
Composição: tony quintino
Nada de mim
Nada que eu possa ser
Ninguém mais uma vez
Outra canção
Outra sem direção
Alguém pode me ouvir?
Tanto eu sei
Que já nem sonho mais
Deixo estar
Tanto errei
Que eu não encontro paz
E volto à me perder
Sempre é assim
Sempre de volta ao cais
Refém dentro de mim
Quase esqueci
Quase eu acreditei
Ninguém pode me ouvir
Já nem sei
Tanto deixei pra trás
Ficou lá
Naveguei e naufraguei
Olhos de nunca mais
E volto à me perder
Deixo estar
tq
domingo, 18 de dezembro de 2016
Fernando Pessoa!
Poema em linha reta
Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.
Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe — todos eles príncipes — na vida…
Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,
Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?
Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?
Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos — mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.
Fernando Pessoa
Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.
Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe — todos eles príncipes — na vida…
Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,
Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?
Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?
Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos — mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.
Fernando Pessoa
sexta-feira, 18 de novembro de 2016
A dança!
A dança
Composição: tony quintino
Nado num oceano que eu mesmo faço
E desse oceano faço o meu carnaval
Abre essa rua, avenida, que o canto começa agora
Abro o meu peito pra vida, imenso quintal
Rasgo as outras vidas e vou, novos passos
Descruzo os braços e o desamor já não sou
Do lado de dentro eu procuro a luz que vem lá de fora
Saio de vez desse escuro, findou temporal
Calmo e selvagem
Esperas de mim
Tantas miragens
Talvez não exista fim
Sou eu
Contramão
Hoje eu sonhei ser mais alma e poesia
Tão seu
Coração
Enche de cor horas antes vazias
Tem uns dias
Que eu acordo
Pensando e querendo saber
tq
Citação e inclusão de Errare humanun est de Jorge Ben.
Composição: tony quintino
Nado num oceano que eu mesmo faço
E desse oceano faço o meu carnaval
Abre essa rua, avenida, que o canto começa agora
Abro o meu peito pra vida, imenso quintal
Rasgo as outras vidas e vou, novos passos
Descruzo os braços e o desamor já não sou
Do lado de dentro eu procuro a luz que vem lá de fora
Saio de vez desse escuro, findou temporal
Calmo e selvagem
Esperas de mim
Tantas miragens
Talvez não exista fim
Sou eu
Contramão
Hoje eu sonhei ser mais alma e poesia
Tão seu
Coração
Enche de cor horas antes vazias
Tem uns dias
Que eu acordo
Pensando e querendo saber
tq
Citação e inclusão de Errare humanun est de Jorge Ben.
quinta-feira, 13 de outubro de 2016
Aquela do mar!
Aquela do mar
Composição: tony quintino
Tudo é mar
Até onde eu posso ver
Vi o sol se pôr pra mim
Quem vem lá?
Só sei que entortou a flor
Veja bem, de imaginar
Você vem chegando e passa por mim
Nem sei como, quando, me ganha assim
Feche os olhos pra enxergar
Meu canto de mar
Tudo está
Bem mais que eu previ saber
Mesmo só, sonhar sem fim
Quem dirá
Que eu vivo de solidão?
Quis brincar de malmequer
Traz o seu encanto que eu deixo ficar
Tardes que eu descanso e encontro lugar
Abro os olhos pra te ouvir
Um tanto de mar
tq
Composição: tony quintino
Tudo é mar
Até onde eu posso ver
Vi o sol se pôr pra mim
Quem vem lá?
Só sei que entortou a flor
Veja bem, de imaginar
Você vem chegando e passa por mim
Nem sei como, quando, me ganha assim
Feche os olhos pra enxergar
Meu canto de mar
Tudo está
Bem mais que eu previ saber
Mesmo só, sonhar sem fim
Quem dirá
Que eu vivo de solidão?
Quis brincar de malmequer
Traz o seu encanto que eu deixo ficar
Tardes que eu descanso e encontro lugar
Abro os olhos pra te ouvir
Um tanto de mar
tq
segunda-feira, 5 de setembro de 2016
Olá, estranho!
Essa é desse fim de inverno (24 e 25/08)...
Olá, estranho
Composição: tony quintino
Quando foi que eu nem vi
Você mentiu pra mim?
Quanto à gente, o que eu perdi?
Você mentiu pra mim?
Você mentiu pra mim?
Quando quis enfim morar
Você viveu por mim?
Quanto às flores sem regar
Você morreu por mim?
Você morreu por mim?
Você morreu por mim?
Você viveu por mim?
Você mentiu pra mim!
Você mentiu pra mim!
Você morreu pra mim!
Tantos dias, tantas horas
Tanto nada é você
E o erro foi meu por não perceber
Sem poesia, sem o agora
Já nem quero saber
E o engano foi seu por não merecer
Adeus
tq
Olá, estranho
Composição: tony quintino
Quando foi que eu nem vi
Você mentiu pra mim?
Quanto à gente, o que eu perdi?
Você mentiu pra mim?
Você mentiu pra mim?
Quando quis enfim morar
Você viveu por mim?
Quanto às flores sem regar
Você morreu por mim?
Você morreu por mim?
Você morreu por mim?
Você viveu por mim?
Você mentiu pra mim!
Você mentiu pra mim!
Você morreu pra mim!
Tantos dias, tantas horas
Tanto nada é você
E o erro foi meu por não perceber
Sem poesia, sem o agora
Já nem quero saber
E o engano foi seu por não merecer
Adeus
tq
quinta-feira, 4 de agosto de 2016
Manoel de Barros!
Retrato do artista quando coisa
A maior riqueza do homem é a sua incompletude.
Nesse ponto sou abastado.
Palavras que me aceitam como sou - eu não aceito.
Não aguento ser apenas um sujeito que abre portas, que puxa válvulas, que olha o relógio, que compra pão às 6 da tarde, que vai lá fora, que aponta lápis, que vê a uva, etc, etc.
Perdoai.
Mas eu preciso ser outros.
Eu penso renovar o homem usando borboletas.
Manoel de Barros
A maior riqueza do homem é a sua incompletude.
Nesse ponto sou abastado.
Palavras que me aceitam como sou - eu não aceito.
Não aguento ser apenas um sujeito que abre portas, que puxa válvulas, que olha o relógio, que compra pão às 6 da tarde, que vai lá fora, que aponta lápis, que vê a uva, etc, etc.
Perdoai.
Mas eu preciso ser outros.
Eu penso renovar o homem usando borboletas.
Manoel de Barros
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